sábado, 6 de junho de 2009


em tempos em que as pessoas confundem samba com outras ramificações musicais que, embora sejam filhos do mesmo mas não estão no testamento, Cartola (ainda) dá aula.
em melodia.
interpretação.
emoção e identificação com a música.
sinceridade.

Candeia certamente escreveu, por exemplo, para ele e tantos outros mortais a canção "preciso me encontrar". e não deve ter sido difícil para Cartola a execução da música.
com o jeitão dele, deve ter falado "solta aquele tom, aí...esse...deixe-me ir, preciso andar..."

ficamos então com a obrigação de aceitar que o samba se modificou e que, nessa mudança, piorou. aceitar que "essa garotada" faça o que quer com a música brasileira.


Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

segunda-feira, 27 de abril de 2009


música parece ter perdido a graça.

faz-se downloads de álbuns como se se comprasse balas.
a questão é, com a mesma importância.
eu faço muitos downloads mas o que realmente acho legal eu quero ter ali comigo, com a arte completa do encarte do cd e a ordem das músicas obedecidas. aliás, poucos fazem idéia, mas pro artista importa muito essa ordem.
se a segunda música é a segunda, é porque a primeira faz a "deixa". elas se complementam de alguma forma ou de muitas formas, e isso nunca se descobre.

ouve-se músicas como se se ouvisse o telejornal.
coloque 15410561050 músicas no seu iPod e saia às ruas. além da qualidade musical que já não será a mesma seus ouvidos terão que dividir sua atenção entre os ruídos urbanos e aquilo que você tá ouvindo...ah, música. legal até que ouvir música tenha virado um hábito pra muita gente.
mas é agora um hábito qualquer, como qualquer outro hábito. pra muita gente.
sabe aquela emoção de ouvir certa música que você gosta demais no rádio...como se fosse obra do destino que quis que ela tocasse naquele exato momento só pra você!?
"cara, é essa música!"

ah, e agora há também quem ouve música como se se assistisse um filme pornô.
duplamente deplorável.

faz-se música velha!
me desculpem os intocáveis da música e seus seguidores, mas vão pra casa do pagode.
eu NÃO tenho mais paciência pra certos clichês musicais.
"ow, você viu? o AD/DC lanço um cd novo!"
"pô cara, legal...vou baixar uma música pra ver o que acho...(já com cara de desconfiado)"
e feito. que bosta.
mesma música de décadas atrás. que é muito boa!
eu gosto muito da banda e a respeito muito em todos os sentidos...principalmente no musical.
mas o que não dá é música nova que parece velha de banda velha que quer ser nova fazendo o bom e velho (ou novo) róquenrou.
acima de tudo, eu quero criatividade e emoção na música.
não velhos arquetipos musicais se sustentando em velhos alicerces.

cria-se bandas como se se criasse uma peça de roupas.
nem vou falar que música é comercial. até porque é mesmo, ué. são poucos os que fazem o tipo de música que gostam não ligando se vão fazer sucesso. mas o legal mesmo é quando fazem o que querem e mesmo assim agrada algumas pessoas...
ontem mesmo, uns amigos e eu tivemos o prazer de conhecer "Mc Kiwi". um garoto de no máximo 11 anos que subiu num palco mal montado ou mal desmontado, e que com seu grupo de amigos (ou "músicos") ficou fazendo sons e repetições silábicas típicas como "ê, ô! ê, ô!".
era óbvio que eles não tinham algum tipo de estrutura musical sequer, e estavam ali de improviso ou de zoação mesmo...e o que fica é: se é pra fazer qualquer coisa, qualquer um pode fazer. não menosprezando o grande Mc Kiwi, claro.
um salve pro mano.

tadindo do macaco.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Marcelo Camelo


hoje pela segunda vez eu tenho ingressos pra ir no show do Marcelo, mas não vou por opção mesmo.
acho que eu não consigo mesmo fazer certas coisas sozinho e uma delas é ir a shows.

Marcelo Camelo lançou ano passado seu primeiro cd de sua carreira solo, com o nome de "SOU" ou "NÓS", como preferir. mas o nome do álbum é inspirado numa poesia de um amigo dele, chamada "sóu".
o cd traz um total desligamento do que ele vinha fazendo até então como elementos da música alternativa. e pra isso, ele contou com os arranjos da banda Hurtmold, paulistana.
parece trazer também coisas que o Marcelo queria dizer ainda na Los Hermanos mas que não "podia" ou não sentia ser certo. mas também você não vai conseguir entender ao certo essas coisas. eu não entendi.
ele não entendeu.
e talvez você não entenda nada por entender muita coisa e ver tudo isso se misturar e confundir,
afinal. Camelo tomou uma outra forma de compôr suas músicas. um jeito "mais livre" segundo ele. mais solto e despretensioso.
o que desagradou alguns fãs que tinham os olhos arregalados esperando mais composições como "além do que se vê", "o vencedor", "pois é", "dois barcos" e "cara estranho", atentos a qualquer semelhança e ávidos por continuar na missão de compará-lo ao Chico Buarque, ou dizer que é o Chico do nosso tempo.
Marcelo contou também com participações de músicos queridos a ele, como Clara Sverner, Mallu Magalhães, Dominguinhos...
o resultado disso tudo são canções melancólicas, tristes, alegres e festivas.
não se pode dizer que se está surpreso com tanta mudança no estilo musical do álbum, já que Marcelo é mesmo um andarilho dos estilos musicais.
e eu não consigo dizer que o cd está aquém do que eu esperava.
dizem que o cd é outro ao vivo.

sábado, 21 de março de 2009

Just a Fest


aê, Just a Fest aconteceu ontem no Rio e amanhã é a vez de sampa.
é um festival de música com as bandas Los Hermanos(!), Kraftwerk e Radiohead (cadê Vanguart??????). obviamente, a última fecha os dois dias de festival. não tão óbvia assim é a abertura com os caras da Los Hermanos seguidos pelo grupo Kraftwerk.
quando eu ouvi dizer que Radiohead viria eu pensei "orra, banda foda. mas tá 100 pilas o ingresso, nem vira...", apesar de todo mundo dizer que haveria outras bandas, "a confirmar".
o que me surpreendeu depois foi a confirmação de LH. surpreendeu e entristeceu de certa forma.

pelo menos eles estão aí, com a banda em mente...mesmo que tocando em festivais legais de preços salgadinhos. e o que teve de gente falando merda!
que eles não deveriam tocar num festival como esse e que são shows caça-níquel (quais não são? ah, os beneficientes). fiquei feliz pra caralho, os caras já provaram muitas vezes que são bons e sempre trazem algo de novo...pros fãs e crítica, inclusive pra eles mesmos.
é o tipo de banda que se um dia fizer um som ruim, o será porque assim se quer.

sortudos os que compraram um coelho e levaram dois.

nem quero falar tanto de Radiohead. xá pra lá.
setlist Radiohead:
    1. 15 Step
    2. Airbag
    3. There There
    4. All I Need
    5. Karma Police
    6. Nude
    7. Weird Fishes/Arpeggi
    8. The National Anthem
    9. The Gloaming
    10. Faust Arp
    11. No Surprises
    12. Jigsaw Falling Into Place
    13. Idioteque
    14. I Might Be Wrong
    15. Street Spirit (Fade Out)
    16. Bodysnatchers
    17. How to Disappear Completely
    18. ENCORE 1
    19. Videotape
    20. Paranoid Android
    21. House Of Cards
    22. Just
    23. Everything In Its Right Place
    24. ENCORE 2
    25. You and Whose Army?
    26. Reckoner
    27. Creep
Los Hermanos:

"Todo Carnaval Tem Seu Fim"
"O Vencedor"
"Retrato Pra Iaiá"
"Último Romance"
"Morena"
"Além do Que Se Vê"
"O Vento"
"Cher Antoine" (!!!)
"A Outra"
"Primeiro Andar"
"Casa Pré-Fabricada"
"Deixa o Verão"
"Cara Estranho"
"Assim Será"
"Condicional"
"Sentimental"
"Cadê Teu Suín-?"
"A Flor"

nem tô a fim de falar sobre Kraftwerk.

sexta-feira, 20 de março de 2009


é engraçado falar de Iron Maiden (ou Maiden para os íntimos):

"você gosta de Iron Maiden?"
"muito!"
"eles têm aquela música lá que fala do número da besta"
"é, têm sim"

daí a pessoa fica querendo te perguntar milhões de coisas, mas tem medo de soar preconceituosa ou ignorante, mas não esconde um certo repúdio. tem também aquele tipo de rotulação maravilhosa de que se você gosta de Maiden então você é "metaleiro" (fabricante de panelas).
primeiro de tudo, eu não escondo. headbanger é um fã de música CHATO PRA CARALHO em sua essência, salvas raras exceções. pelo mesmo motivo que são os pagodeiros (tenho conhecido uns bem gente fina!), rappers e todo tipo de fanático por um estilo. os forrozeiros são legais pra mim.

durante sua carreira a banda evoluiu muito musical e literalmente. no início, era uma coisa mais suja, com distorções quase que mal feitas e vocal "largado". lembrava o punk. o Paul parecia um punk. porém já no segundo álbum, "Killers", é visível a evolução musical da banda...mesmo que lenta e progressivamente cuidadosa, com a entrada do guitarrista Adrian Smith no lugar de Dennis Stratton. mas eu não acredito que foi esse o motivo dessa ligeira evolução, aconteceria se Dennis ainda estivesse lá na época. mas há de se levar em conta o início das "twin guitars" de Murray e Smith. mas é no terceiro álbum que a banda realmente muda e a saída de Paul dos vocais representa de fato uma mudança, que alguns fãs não aprovaram. o Maiden perdeu sua característica suja e agressiva para ganhar um Q mais melódico, com harmonias mais bem trabalhadas. com letras melhores. composições melhores. clássico: "hallowed be thy name". o nome desse terceiro álbum é "the number of the beast" (oooohhh) e aquele tal vocalista substituto do primeiro é Bruce Dickinson. fã de música erudita e poesia, amante das artes, esgrimista profissional e historiador (ou professor de história?).

daí em diante a banda conseguiu criar seu estilo único e inigualável na música justamente por tocar heavy metal e incluir tantos elementos externos a esse estilo, principalmente nas composições de Steve Harris, baixista e líder. hoje é, sem dúvida, a melhor e mais bem sucedida banda de "metal pesado" da história, fugindo dos clichês do estilo e buscando inovação, alcançando assim o reconhecimento por parte de tantos outros músicos de tantos outros estilos.

e de todos os integrantes da banda, sem dúvida alguma o baterista Nicko Mc'Brain é o meu preferido. engraçado e mestre com as baquetas na mão, ele é como o Maiden: enquanto tudo levou a crer que seria mais um e que não traria nada mais de novo, provou o contrário. nunca ouvi nenhum baterista tocar como ele, do jeito dele. simples ou não.
aliás, Nicko se converteu ao cristianismo há alguns anos, acredito que é evangélico.

é, isso é um pouco da donzela de ferro.

quinta-feira, 19 de março de 2009


ninguém, ou quase ninguém, tem paciencia de (me) ouvir falar de música. motivo. a idéia desse tipo de blog vi por aí, assumo. mas aí vou dando minha cara aqui.
falando de música, aqui vai meu gosto pessoal. às vezes críticas baseadas em conceitos técnicos, mas certamente nem sempre.
o que não vai faltar é um caráter passional aqui...
a música linda de hoje é linda por algum motivo, amanhã por outro.
todo tipo de música.
opa, e música ruim também, por favor.
créééééuuuuuu.

acho que é isso, por enquanto. que aliás é uma bela música.